Workshop treina 40 jovens para empoderamento #ElasMudamOMundo

Realizada pela Change.org Brasil, primeira oficina apresentou como mulheres podem se tornar líderes de mobilizações a partir da criação de petições online

O workshop que faz parte de um programa internacional de empoderamento de mulheres foi realizado na Escola Gracinha, na última sexta-feira (24) (Imagem: Fábio Mendes Teixeira/Coletivo UNI)

A Change.org, maior plataforma de abaixo-assinados do Brasil e do mundo, lançou na última sexta-feira (24) seu programa voltado ao empoderamento de mulheres. O primeiro workshop Elas Mudam o Mundo, como foi batizado o projeto, aconteceu na Escola Nossa Senhora das Graças – Gracinha, na zona sul de São Paulo. Ao longo de quatro horas, 40 jovens estudantes se inspiraram por histórias de mulheres que lideram campanhas e mobilizações em torno de causas e aprenderam a utilizar a plataforma de petições online como instrumento de empoderamento e transformação social. 

O workshop contou com uma roda de bate-papo entre a advogada, ativista pela saúde infantil e influenciadora digital Paula Chohfi, a defensora dos animais Simone Gatto e as estudantes que integram o coletivo feminista “Eu não sou uma Gracinha”. A coordenadora de campanhas da Change.org Brasil, Yahisbel Adames, também participou da mesa de debates e apresentou a plataforma às jovens estudantes que cursam o Ensino Médio. 

“Somos plurais, somos neutros. Nenhuma petição criada na Change.org pode ser usada para defender qualquer tipo de preconceito”, esclareceu Yahisbel. “Também somos apartidários. A gente não defende nenhuma bandeira política”, completou a coordenadora de campanhas da Change.org, que ainda falou sobre importantes vitórias alcançadas por mulheres a partir do uso da plataforma. 

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“Estou muito feliz, muito honrada em tirar uma parte do meu dia para conscientizar outras pessoas da importância de se engajarem em causas sociais”, comentou Paula. “Você poder mudar alguma coisa no mundo e isso independe da sua idade, classe social, cor, visão política, do seu contexto ou estilo de roupa”, falou a influencer durante o bate-papo. Paula foi a líder de uma mobilização gigantesca pela liberação de um medicamento de alto custo para pessoas com Atrofia Muscular Espinhal (AME). 

Depois de conquistar vitória, a ativista criou uma segunda petição, na Change.org, abraçando uma campanha para que o SUS forneça curativos especiais a portadores de epidermólise bolhosa, mutação que ocasiona o surgimento de bolhas e lesões na pele. 

Mulheres empoderadas

Enquanto falava sobre o poder que as mulheres têm de abraçar causas sociais e transformar o mundo, a digital influencer lembrou o quanto as mulheres ainda sofrem pressões da sociedade e família, destacando que elas têm interesses sociais semelhantes e por isso precisam se unir para conquistar a igualdade de direitos em relação aos homens. “Infelizmente as mulheres, desde a Antiguidade, são cobradas pela sociedade”, lamentou. “Elas são estereotipadas independente do que escolham ser”.

Paula faz trabalhos voluntários, dentro e fora do Brasil, desde os 12 anos (Imagem: Fábio Mendes Teixeira/Coletivo UNI)

Paula abordou, ainda, a questão do preconceito, dizendo que todas as mulheres enfrentam situações de discriminação relacionadas ao gênero. “A gente passa pelas mesmas coisas, independente da condição social que a gente tenha”, disse. “Então se a gente se unisse por sermos mulheres, vivendo na mesma sociedade, com os mesmos problemas, a gente poderia construir muita coisa”, acrescentou.

Simone Gatto, que apoiou um abaixo-assinado pela liberação do transporte de animais domésticos no metrô e agora lidera outros dois, inspirou as adolescentes que participavam do workshop contando sobre o que a motiva a querer mudar o mundo. “Se você sabe que há alguma coisa de errado, você sente isso, vive isso na pele, vá atrás para se informar sobre o que fazer para mudar isso”, falou. “É o sentimento de perceber que algo está errado que move a gente a mudar o mundo”. 

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Na parte prática da oficina, as integrantes do coletivo “Eu não sou uma Gracinha” criaram um abaixo-assinado pedindo que a Fuvest amplie o número de autoras mulheres na lista de livros obrigatórios do vestibular. Outra participante da oficina comentou o quanto o programa de empoderamento a motivou. “[O workshop] mudou, na verdade, a minha visão de algumas coisas, porque realmente como [as convidadas] disseram, nós jovens temos muita preguiça de fazer algumas coisas e isso me tocou muito porque eu sinto isso”, disse Gabriela Medeiros, estudante do 3º Ensino Médio. 

Elas Mudam o Mundo

O programa internacional de empoderamento, já realizado na Índia, México e Argentina, chega ao Brasil com o objetivo de fomentar a voz de jovens mulheres, treiná-las para o uso da ferramenta tecnológica de transformação social, além de apresentar meios de conectá-las ao poder público, capacitando-as a se tornarem líderes de campanhas e mobilizações em torno de causas que queiram abraçar. 

Confira mais sobre o programa: https://elasmudamomundo.org.br/

Dados da plataforma Change.org relativos ao Brasil revelam que as mulheres são maioria entre os usuários que assinam mobilizações online, mas minoria entre quem tem a iniciativa de criar abaixo-assinados para buscar mudanças sociais. Apenas 34% das petições hospedadas pela plataforma no Brasil são criadas por mulheres, a minoria delas (14%) são jovens com até 24 anos, 84% estudaram no ensino superior ou têm pós-graduação e pouco menos da metade (40%) vive em grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro. Da análise, surgiu a necessidade de criar o programa. 

Ao longo do ano, outras oficinas serão realizadas para empoderar mais mulheres.